Protocolo de Montreal | HCFC's

  • Alternativas para HCFCs foram debatidas na Convenção ABRAS 2016
  • Alternativas para HCFCs foram debatidas na Convenção ABRAS 2016

    Empresários e executivos das principais redes supermercadistas do País debateram ontem (8/11) pela manhã, durante o Workshop Abras, no auditório do Theatro Bourbon, localizado no Bourbon Convention & Resort, em Atibaia (SP), a eliminação dos HCFCs no Brasil e as novas alternativas tecnológicas em refrigeração comercial. Organizado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o evento abriu as atividades da 50ª edição da Convenção ABRAS, que ocorre até amanhã (10/11), reunindo mais de 700 supermercadistas (proprietários, altos executivos e líderes empresariais).

     

    Fernando Yamada, presidente da Abras, abriu o Workshop dando boas vindas a todos e falando da importância das comemorações dos 50 anos da Convenção Abras e da oportunidade que se criou, no workshop, para se debater temas tão importantes ligados à sustentabilidade do setor. “Temos muito a aprender com os especialistas que irão nos falar neste Workshop, que se iniciará com o Painel sobre HCFCs. Hoje, não há como promover crescimento econômico sem olhar para o planeta. A sustentabilidade é um assunto que já faz parte da vida do supermercadista e vai impactá-la cada vez mais”, disse Yamada, convidando a todos os supermercadistas presentes a participarem ativamente dos debates e a utilizarem na prática os conhecimentos em suas empresas.

     

    Protocolo de Montreal

     

    Magna Luduvice, gerente de Proteção da Camada de Ozônio, do Ministério do Meio Ambiente (MMA) foi a primeira palestrante do dia e abordou, em sua palestra, a evolução do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), fluídos frigoríficos ainda muito utilizados nos sistemas de refrigeração em supermercados.

     

    Magna explicou detalhadamente como o governo brasileiro está encaminhando as questões em relação à implementação do Protocolo de Montreal, que determinou a eliminação dos HCFCs (redução no Brasil de 35% do consumo em 2020 e total em 2040).

     

     “O maior uso do HCFC-22 (82,26%) se dá no setor de serviços, predominantemente no setor de supermercados, por isso a importância das empresas do setor estarem atentas a formas de evitar vazamentos desse fluído, que ainda é muito utilizado (uma loja desperdiça no ano 102% da carga inicial)”, disse Magna.

     

    A gerente do MMA também falou sobre a emenda ao Protocolo de Montreal aprovada na MOP 28, em Kigali, no dia 15 de outubro passado, que definiu a redução progressiva também dos HFCs, com congelamento do consumo no Brasil a partir de 2024 e redução a partir de 2029. “Com esta decisão, os senhores, supermercadistas, precisarão ficar atentos também à utilização dos HFCs (R-404a e R134a), que hoje estão sendo muito utilizados como alternativas aos HCFCs”, alertou Magna. 

     

    Novas tecnologias

     

    Rogério Marson, gerente de Engenharia da Eletrofrio, deu continuidade ao painel, deixando claro em sua palestra que o problema maior está nas lojas antigas do setor, já que as novas unidades estão todas sendo realizadas com sistemas que utilizam outros fluídos. “Em seis anos o setor de supermercados conseguiu zerar a utilização de HCFC-22 em instalações novas”, disse.

     

    Marson explicou o avanço da utilização pelo setor de tecnologias mais sustentáveis, utilizando fluídos naturais como CO2, propano e amônia. “O R-22, como refrigerante sintético, foi uma excelente alternativa por 30 anos, mas deixou prejuízos ao meio ambiente. Estou convencido de que as tecnologias dos refrigerantes naturais voltaram para ficar (elas foram as primeiras a serem utilizadas no mundo desde 1850). Elas são as melhores alternativas futuras. Teremos de trabalhar cada vez mais com as altas pressões do CO2, com a inflamabilidade do propano e com a toxidade da amônia, e, por essas tecnologias exigirem maior capacitação de pessoal técnico, esse precisará ser o foco das empresas do setor”, recomendou.

     

    O gerente da Eletrofrio informou sobre a grande utilização hoje do CO2 em sistema subcrítico (mais de 120 lojas no País) e também do início da utilização de lojas com o sistema transcrítico (uma tendência na Europa).

     

    Boas práticas

     

    Stefanie von Heinemann, gerente de projetos do programa Proklima da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável - GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH) apresentou aos supermercadistas, um balanço dos trabalhos que estão sendo desenvolvidos, na implementação do PBH, com foco em conhecimento e capacitação de pessoal técnico. “Os supermercados brasileiros consomem aproximadamente 5 mil toneladas de HCFCs por ano, somente para reposição de fluido frigorífico. Isto corresponde a um prejuízo do setor com vazamentos de aproximadamente R$ 250 milhões”, afirmou.

     

    Foi por isso que o governo brasileiro, com apoio da GIZ, priorizou o Programa de Boas Práticas para melhor contenção do HCFC-22 durante a instalação, manutenção, reparo e operação dos sistemas de refrigerados, que capacitou, nos últimos dois anos, 5.313 mil técnicos refrigeristas, como bem explicado por Stefanie. “Nesta fase, que é a primeira do PBH, conseguimos treinar pessoal técnico de mais de 1.100 empresas supermercadistas”, disse, enfatizando que isso só aconteceu graças ao apoio de entidades como a Abras e as associações estaduais de supermercados, e, também, de empresas do setor, que incentivaram seus técnicos a participarem nos cursos de boas práticas.

     

    Stefanie falou também da segunda fase do PBH que prevê a capacitação de mais 1 mil técnicos (de sistemas de refrigeração em supermercados e de ar condicionado). Além disso, a próxima fase prevê também a implantação de dois centros de treinamento com sistema e ferramentas práticas de demonstração para a capacitação de técnicos na operação, instalação e manutenção segura de sistemas comerciais a base de CO2 e HC.

     

    A gerente de projetos da GIZ reforçou ainda aos supermercadistas que está disponível para uso de todas as empresas um sistema de controle gratuito de HCFC-22, com tecnologia alemã, mas totalmente adaptado à realidade brasileira, por meio do site: www.ozoniohcfc.com.br. “Muitos supermercadistas tem apoiado o nosso trabalho, liberando seus técnicos para treinamento nas escolas técnicas e utilizando o sistema Pró-Ozônio. Mas é importante que mais empresas participem. Estamos abertos para oferecer mais orientação a respeito e também para receber sugestões. Nosso objetivo é apoiá-los cada vez mais”, afirmou Stefanie.

     

    Exemplo do setor

     

    Aroldo Lima, gerente geral de Manutenção e Obras da Companhia Zaffari Bourbon, pioneira na utilização de fluidos naturais em refrigeração no setor, com um plano de trabalho estruturado desde 1987. Este plano consistiu em investimento em máquinas recolhedoras; treinamento e capacitação de pessoal; em centrais de reposição; na compra de fornecedores certificados; e na utilização de procedimentos de segurança.

     

    “Em 1987 a Cia. Zaffari, atenta às orientações do Protocolo de Montreal, tomou a decisão de reduzir a quantidade de HCFCs, utilizando estes apenas como fluído primário na casa de máquinas e outros fluídos secundários para a troca. Neste mesmo ano, fez sua primeira aplicação com fluído natural em alta temperatura (amônia). E em 1990 já inaugurava suas primeiras lojas 100% com fluído natural”, disse Lima.

     

    A rede continua com investindo hoje em novas tecnologias. Em 2006, fez sua primeira instalação com propano; e este ano inaugura duas lojas com CO2 com sistema subcrítico. “Nossa aposta é nos fluídos naturais, que hoje respondem por 85% do consumo de fluídos da rede (os HCFC-22 respondem por 11% e o HFCs, 404A, e outros por 25%). Em três ou quatro anos não teremos mais R-22 em nossas lojas”, disse o executivo.

     

    Reconhecido profissional do setor na área, Aroldo Lima ressaltou aos colegas supermercadistas, presentes no auditório do Workshop Abras, que independentemente do sistema e fluido a serem escolhidos, é preciso priorizar os cuidados com o projeto e as instalações, e, ainda mais, capacitar as pessoas que cuidam deles. “Você não daria um carro novinho para uma pessoa sem habilitação adequada dirigir, certo? Então, porque algumas empresas dão um sistema de refrigeração, que é valioso, para qualquer equipe, sem capacitação e treinamento adequado, manter?”, refletiu.  Como ele frisou: “As boas práticas no uso e manutenção dos sistemas refrigerados das lojas são cada vez mais necessárias. É importante que os empresários e profissionais do setor estejam atentos a isso”.  

     

    A visão da indústria

     

    Paulo Neulaender, vice-presidente de Meio Ambiente da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA), foi o último palestrante a falar sobre o tema no painel e em sua palestra enfatizou que é hora dos empresários do setor pensarem bem nas alternativas para a substituição dos HCFCs “para não perderem dinheiro depois”.

     

    “Hoje o volume de HCFC-22 ainda é suficiente para atender o mercado, por isso a prioridade agora é evitar vazamentos, melhorando a manutenção das lojas. Mas, em 2020, o mercado terá 350 toneladas a menos, com isso seu preço poderá estar até 100% mais caro e poderá até já começar a faltar esse gás”, alertou o especialista.

     

    Para Neulaender, quanto maior for a quantidade de supermercados que um empresário possuir, mais deve ser acelerado o cronograma de trabalho para reduzir/eliminar o HCFC-22, sempre priorizando a manutenção e redução dos vazamentos, além do recolhimento e regeneração do fluido. “Só assim o empresário sentirá menos o impacto nos investimentos e correrá menos riscos no futuro”, disse.

     

    Neulaender também incentivou os supermercadistas a procuraram mais informações, entrando em contato com a própria Abras, com a Abrava, da qual faz parte, e/ou com a GIZ.  “Estamos à disposição para apoiá-los nesse processo de eliminação dos HCFCs”, disse.

     

    Em seguida ao Painel HCFC, os supermercadistas, e entre eles diversos dirigentes de associações estaduais do setor, puderam tirar suas dúvidas por meio de perguntas e, depois, pessoalmente, com os palestrantes, durante coffee-break, o que deixou clara a relevância e atualidade do tema, que é de grande interesse das empresas do setor.

     

    Por Susana Ferraz / Sete Estrelas Comunicação

     

     

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