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ENTREVISTA COOL TALKS PBH – Amora Vieira Cavalcante: “A formação profissional na refrigeração é um caminho possível e viável, para homens e mulheres”

Entrevista

 

Amora Vieira Cavalcante é administradora, especialista em gestão de projetos pela FGV e diretora do Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER) do SENAI, em Natal – RN. Nesta entrevista, ela discute os desafios da educação profissional, a importância das parcerias tecnológicas e da inovação e o papel fundamental das mulheres no setor de refrigeração e climatização.

 

  1. Poderia nos contar um pouco sobre sua trajetória profissional?

Eu trabalho há 28 anos aqui no SENAI de Natal. Entrei como estagiária e fui trilhando essas oportunidades que o SENAI trouxe para minha formação profissional. Sou administradora, gestora de projetos, pela FGV, e o meu caminho profissional aconteceu de forma muito natural. Gestão é uma área que eu gosto muito; trabalhar com a educação profissional para mim é uma realização. Quando olho para trás, percebo que me esforcei para estar onde estou hoje, buscando oportunidades, me conectando com as pessoas e estando atenta ao que a indústria solicita ao SENAI.

 

  1. Como é a sua rotina de trabalho hoje e quais são os maiores desafios da gestão operacional?

Aqui em Natal, atuamos muito com energias renováveis, petróleo, gás, moda, alimentos e bebidas. Tudo isso está no âmbito da minha gestão operacional para executar o negócio de educação profissional.

O desafio é constante: entender a demanda da indústria, antecipar-se à tecnologia e saber como alcançar o público-alvo. Mas contamos com uma ótima infraestrutura para isso. Temos, por exemplo, um observatório de dados que funciona como uma bússola orientativa para entendermos as demandas da indústria, ou seja, onde temos lacunas de formação e onde a empregabilidade está pulsando. Também estamos em constante relacionamento com diversos players da indústria, para entender o que está acontecendo.

 

  1. Qual a importância da educação técnica hoje no Brasil, na sua visão de gestora?

A formação técnica está muito alinhada às necessidades da indústria. Essa base inicial sustenta a operação, que sustenta a produção industrial. Ela faz acontecer no “chão de fábrica”.

Para impulsionar as diversas indústrias, nos seus processos estruturados, é necessário formar diversos profissionais, diversos especialistas. Essa é a essência da cadeia do processo produtivo da formação técnica profissional.

Nosso papel é olhar para o futuro e entender as lacunas para que criemos um movimento de formação de profissionais com oportunidades reais de emprego; tudo tem de estar bem conectado. Hoje, por exemplo, os técnicos em eletromecânica são muito demandados pela indústria de energia eólica aqui no nosso estado.

 

  1. Falando especificamente de refrigeração, quais são as oportunidades atuais?

Temos um importante trabalho na área de refrigeração, que expandiu muito nos últimos anos. Tudo construído a muitas mãos pela nossa equipe, da gestão, coordenação, supervisão e docência. Nosso projeto visa atrair especialmente os jovens, homens e mulheres, para a formação técnica, divulgando nossos cursos e estrutura de ponta (laboratórios, biblioteca, áreas de convivência, etc.).

O desafio é nos conectarmos com parceiros importantes como a GIZ, por exemplo. Nossa parceira em diferentes projetos nas áreas de energias renováveis e, especificamente, na área de refrigeração no âmbito do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs – PBH, sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Trazemos também empresas fabricantes de equipamentos para dentro do SENAI para compor nossos laboratórios, o que nos proporciona atualização tecnológica constante. Essas parcerias são essenciais, porque precisamos comunicar ao mercado que o SENAI tem potência na entrega de formação de pessoas.

 

  1. Qual é a sua visão sobre a importância de ações que potencializem a presença feminina na indústria e no setor de refrigeração?

Essa pauta sobre formação de mulheres é essencial. Começamos há cerca de cinco anos com uma provocação da indústria de energia eólica, para contratação de mais mulheres, e saímos do SENAI para ir diretamente ao público-alvo nas cidades onde os empreendimentos estavam sendo instalados.

Buscamos alunas para serem protagonistas e falarem para outras meninas que é possível e viável terminar um curso em dois anos e conseguir emprego e uma carreira. A iniciativa foi um sucesso e inspirou e orientou outras semelhantes, com outras empresas.

Mais recentemente, multiplicamos essa estratégia formando mulheres na área de refrigeração e climatização, inclusive em cursos gratuitos realizados no âmbito do PBH. Foram iniciativas de sucesso.

A meu ver, um ponto fundamental é cativar o interesse da participação feminina na área de refrigeração e climatização, como técnica. Nós percebemos que há boa demanda para mais mulheres na refrigeração, como empreendedoras e como técnicas, e divulgamos isso nos nossos eventos, chamando mulheres que já têm negócios consolidados para falar para outras mulheres, sobre as oportunidades desta formação profissional.

Nosso desafio hoje é manter a infraestrutura e o conteúdo adequados à realidade do mercado para atrair cada vez mais esse público feminino, além do masculino

 

  1. Como tem sido a parceria com o Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH) com a implementação de novos cursos?

Essa rede de conexão, com a GIZ e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, traz um ganho muito efetivo para a sociedade. É um modelo muito bem-sucedido. Nessa parceria, nós realizamos cursos gratuitos do programa aqui no SENAI no Rio Grande do Norte e, também, apoiamos na execução em outras unidades SENAI, como Paraíba, Pernambuco e Tocantins. Foram centenas de profissionais formados até agora, técnicos e técnicas de refrigeração.

O papel do SENAI na ponta, como parceiro do PBH, é operar essa entrega de conhecimento para que o/a técnico/a que está na casa das pessoas ou na indústria tenha uma atuação de qualidade. Estamos, por exemplo, trazendo ineditismo para a rede com o projeto de formação de técnicos/as em sistemas de ar condicionado com fluidos refrigerantes inflamáveis. Isso nos coloca na vanguarda da refrigeração.

O futuro desta parceria com o PBH é promissor e inclui projeto para construção de laboratório no modelo de mini supermercado, atraindo os profissionais dos setores de varejo alimentício e focando em fluidos refrigerantes naturais como CO₂ e propano, que possuem baixíssimo ou praticamente nulo potencial de aquecimento global.

 

Bate-bola – complete as frases:

  • Eu gosto do meu trabalho porque… ele faz sentido para mim. Acordar todos os dias sabendo que vou ter a oportunidade de transformar vidas, realizar projetos e entregar algo positivo para a sociedade me impulsiona.
  • É fundamental desenvolver ações para ampliar a participação feminina no mercado por meio da educação porque… a mulher precisa perceber que ter uma formação profissional é um caminho possível e viável. É preciso ter a força feminina, junto com a masculina, ter a diversidade de conhecimentos dentro da indústria e do comércio, para que se desenvolvam ainda mais.
  • As parcerias entre o SENAI e Programas como o PBH são essenciais porque… precisamos desenvolver esse conhecimento de boas práticas e fazer com que o profissional de refrigeração tenha uma atuação segura e amplie sua visão para a sustentabilidade e o meio ambiente, formando pessoas mais conscientes e responsáveis.

COOL TALKS – Por Susana Ferraz, jornalista, assessora de comunicação integrada da GIZ_PBH (Sete Estrelas Comunicação).

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