Pela primeira vez, o Brasil recebeu uma visita técnica oficial da Secretaria do Fundo Multilateral para a Implementação do Protocolo de Montreal, marcando um novo capítulo na cooperação internacional para a proteção da Camada de Ozônio e a mitigação da Mudança do Clima.
Alejandro Ramírez, Senior Programme Management Officer da Secretaria (foto), visitou o país de 23 a 26 de fevereiro e afirmou ao final da visita: “Logrei ver nesta missão estratégia, que foi desenhada por parte do governo brasileiro com a assistência das agências implementadoras (PNUD, UNIDO e GIZ), que o Brasil vai na direção correta e é um ator fundamental na execução da Emenda de Kigali”.
Frank Amorim, analista ambiental, representante do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que acompanhou toda a missão estratégica, destaca o simbolismo dessa visita ao país: “A presença de um representante da Secretaria do Fundo Multilateral em solo brasileiro, pela primeira vez em missão oficial, é o reconhecimento do trabalho sério que o Brasil desenvolve há décadas. Esta visita nos permite mostrar, na prática, como as políticas públicas se transformam em inovação tecnológica e capacitação profissional, consolidando nosso papel como referência para as nações em desenvolvimento”.

Foto da reunião estratégica em Brasília-DF, com participação on-line de Ellen Michel (direto da Alemanha), no primeiro dia da visita ao país.
Ellen Michel, gerente de projetos da GIZ Proklima, responsável pelos projetos implementados pela agência bilateral no país no âmbito do Protocolo de Montreal, sob a coordenação do MMA, endossa essa importância, em especial, em relação ao capital humano. “Destaco a importância do desenvolvimento de capacidades no setor de serviços, pois os/as técnicos/as e engenheiros/as são os/as que fazem o setor de refrigeração funcionar de forma que não prejudique a Camada de Ozônio e o Clima”. Sob a implementação da GIZ (uma das três agências implementadoras no país), o programa já alcançou a marca de mais de 18.000 técnicos/as capacitados/as até este ano (agora na Etapa III do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs – PBH), com foco nas boas práticas em refrigeração e na utilização de fluidos refrigerantes com baixo potencial de aquecimento global (GWP).
Setor de Serviços: Visitas Técnicas à ETP e ao SENAI
Destacando as capacitações de milhares de técnicos/as de refrigeração e ar condicionado no país, a missão incluiu visitas fundamentais a centros de treinamento no país que receberam importantes projetos desenvolvidos no âmbito do Protocolo de Montreal, por meio do PBH, com verbas do Fundo:
- ETP (Curitiba): Ramírez conheceu o laboratório no modelo “mini supermercado” com fluidos refrigerantes naturais CO2 e Propano e classificou o espaço como “especial” e um exemplo que deve ser seguido internacionalmente. “É um passo na direção correta, pois as empresas de manufatura já caminham para essa tecnologia, e a escola já prepara os/as técnicos/as para esse futuro”.


Nas fotos veja a comitiva com os diretores da escola FAPRO-ETP, Alexandre e Márcia Santos, no Laboratório modelo “mini supermercado”
- SENAI Oscar Rodrigues Alves (São Paulo): O foco da visita foi apresentar o novo laboratório de ar condicionado com propano (veja foto abaixo com comitiva e diretor da escola). Ramírez ficou impressionado com a estrutura da escola e qualidade do laboratório implantado e enfatizou que a familiarização dos alunos/as com ferramentas e práticas de segurança para fluidos refrigerantes inflamáveis é essencial antes mesmo de a tecnologia estar 100% no mercado.


Na foto à dir., a comitiva com o diretor Eduardo Macedo Ferraz e Souza, diretor da Escola SENAI Oscar Rodrigues Alves. Na foto à esq. Ramirez e Stefanie von Heiemann (GIZ) com uma das instrutoras dos curso do PBH, Bianca Alves (centro).
O Legado Brasileiro
Com um investimento aprovado de cerca de US$ 145 milhões em diversos projetos, o Brasil consolida-se como o principal usuário de substâncias controladas da América Latina. Nesse contexto, Alejandro Ramírez detalhou a evolução que testemunhou desde sua última passagem pelo país, há 15 anos.


Fotos da reunião setorial finalizando a missão estratégica, na sede da ABRAVA em São Paulo-SP (com Leonardo Cozac, presidente ABRAVA e Thiago Rodrigues, diretor ELETROS).
Para Ramírez, o progresso alcançado é “incrível”. Ele destacou que a transição brasileira não é apenas uma mudança de gases, mas uma transformação digital e tecnológica profunda. “O Brasil tem a capacidade de realizar essas mudanças em grande escala. Pude observar que as empresas já iniciaram a transição para substâncias de baixo potencial de aquecimento global (GWP), o que reduzirá as emissões de gases de forma tremenda”.
O oficial sênior de Gerenciamento de Programas do Fundo ressaltou ainda o papel do país como influenciador regional:
- Sinalizador de Mercado: Devido à sua escala e ao grande número de fabricantes, o Brasil envia sinais fortes para fornecedores de fluidos refrigerantes e fabricantes de compressores em toda a América Latina.
- Referência em Eficiência: Ao liderar padrões de desempenho energético (Índices Mínimos de Eficiência Energética – MEPS) e etiquetagem, o Brasil facilita para que fabricantes globais atualizem suas plataformas de produtos para toda a região.
- Polo Tecnológico: O Brasil é um ponto de referência porque, ao possuir manufatura própria, inova constantemente na tecnologia, atraindo profissionais de outros países para aprender com o que é feito aqui.
Desafios e o Futuro com o KIP

Na foto, registro da visita da missão à unidade de reciclagem e regeneração de fluidos refrigerantes, da Ecosuporte, em Americana-SP. A ampliação e melhoria das unidades de reciclagem e regeneração de fluidos refrigerantes faz parte da Etapa III do PBH.
A missão do Fundo Multilateral, como mencionou Ramírez, é um passo importante para a aprovação do Programa HFCs (Plano de Implementação da Emenda de Kigali (KIP) no Brasil), que deve ocorrer durante a 98a reunião do Comitê Executivo, ainda em 2026.
Alejandro pontuou que o maior desafio agora será o manejo complexo de dados e misturas de HFCs. “Passar do controle dos HCFCs aos HFCs é mais fácil no Brasil porque as alianças com centros de formação e a indústria já estão estabelecidas. Não é começar de novo, é uma continuação”.
O legado desta visita, segundo Ramírez, é um entendimento claro dos desafios locais que ajudará a Secretaria a desenhar políticas de financiamento mais precisas para o futuro.
Leia entrevista completa com Alejandro Ramírez em Cool Talks PBH.
Para mais informações sobre o Programa HFCs e as ações vinculadas à Emenda de Kigali, acesse também os sites:
– Multilateral Fund for the Implementation of the Montreal Protocol
– Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
Por Susana Ferraz, assessora de Comunicação da GIZ para o PBH (jornalista responsável pelos conteúdos neste website e nas mídias sociais).
Confira também nossos conteúdos nas redes sociais, publicados com o apoio operacional de Ana Paula Macêdo, assessoras técnica-administrativas da GIZ.
Leia, siga e compartilhe!
Instagram https://www.instagram.com/boaspraticasrefrigeracao/
Facebook https://www.facebook.com/boaspraticasrefrigeracao/
#boaspraticasrefrigeracao #sustentabilidade #clima #refrigeração #mudancadoclima #hfcs #emendadekigali #protocolodemontreal