Brasil aprova Programa de Redução do Consumo de HFCs e avança na agenda climática

A medida reforça o compromisso do Brasil com a agenda climática internacional, ao promover a redução gradual do consumo de substâncias com alto potencial de aquecimento global e impulsionar a transição para tecnologias mais eficientes e sustentáveis.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) anunciou a aprovação da Estratégia Nacional da Etapa I do Programa Brasileiro de Redução do Consumo de Hidrofluorcarbonos (Programa HFCs), iniciativa que marca um avanço significativo na implementação da Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal no país. 

Emenda de Kigali, adotada em 2016 e promulgada pelo Brasil em 24 de agosto de 2023, incorporou os hidrofluorcarbonos (HFCs) ao escopo do Protocolo de Montreal. Embora não afetem a Camada de Ozônio, esses gases apresentam elevado potencial de aquecimento global e representam parcela relevante das emissões associadas aos setores de refrigeração e ar condicionado. 

Em maio de 2026, foi concluída a negociação da Estratégia de Implementação do Programa HFCs com a Secretaria do Fundo Multilateral para a Implementação do Protocolo de Montreal (FML). A Etapa I da estratégia foi então submetida à aprovação durante a 98ª Reunião do Comitê Executivo do Protocolo de Montreal (ExCom), realizada em junho de 2026.

Com a adesão ao acordo, o país assumiu o compromisso de congelar o consumo de HFCs a partir de 2024 e reduzir esse consumo em até 80% até 2045, seguindo o cronograma estabelecido para os países em desenvolvimento. 

Etapa I prevê redução de emissões e modernização tecnológica

A Etapa I do Programa HFCs tem como objetivo apoiar a redução de 10% do consumo dessas substâncias até 2029, e 12% até 2032, em relação à linha de base, o que corresponde a uma redução de 8.747.722 toneladas de CO₂ equivalente. 

Para atingir essa meta, serão implementadas ações estratégicas voltadas à substituição de fluidos refrigerantes de alto potencial de aquecimento global por alternativas de baixo GWP, incluindo o uso de substâncias naturais, como hidrocarbonetos, dióxido de carbono e amônia, além de alternativas sintéticas como os hidrofluorolefinas (HFOs). 

Entre as principais frentes de atuação estão:

  • fortalecimento de instrumentos regulatórios;
  • projetos de conversão tecnológica de empresas de manufatura;
  • ações com impacto direto no setor de ar condicionado automotivo, voltadas à prevenção de vazamentos e à implementação de tecnologias inovadoras;
  • desenvolvimento de projetos de certificação profissional no setor;
  • iniciativas demonstrativas e ações de capacitação para o manejo seguro e eficiente de fluidos refrigerantes alternativos;
  • ações voltadas à gestão do ciclo de vida dos HFCs, incluindo destinação ambientalmente adequada de equipamentos e substâncias;
  • disseminação de informações técnicas e ações estratégicas de sensibilização, incluindo a criação de campanhas com linguagem acessível e com o objetivo de fomentar uma consciência ambiental no público. 

As medidas contemplam os setores de refrigeração e ar condicionado em seus diversos segmentos, doméstico, comercial, automotivo e industrial, contribuindo para a modernização tecnológica, o aumento da eficiência energética e o fortalecimento da competitividade da indústria nacional. 

Benefícios ambientais e impacto econômico

A implementação da Emenda de Kigali no Brasil tem potencial de evitar aproximadamente 58,3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente entre 2024 e 2045 das emissões diretas de HFCs, além de mobilizar cerca de US$100 milhões em investimentos destinados à modernização tecnológica do setor produtivo, somente por meio de recursos do FML, sem considerar os investimentos locais. Para a implementação do Programa HFCs, o Brasil negociou aproximadamente US$ 26,5 milhões para a execução das ações previstas. 

O Programa HFCs também contribui para a redução de emissões indiretas e para a descarbonização dos setores de refrigeração e ar condicionado, ao mesmo tempo em que promove ganhos de eficiência energética, com redução do consumo de eletricidade em residências, comércios e indústrias, fortalece a indústria nacional e amplia sua competitividade. 

A iniciativa impulsiona ainda a adoção de tecnologias mais limpas e alinhadas à transição ambientalmente adequada, além de incorporar práticas de economia circular, por meio da recuperação, reciclagem e regeneração de fluidos refrigerantes, promovendo modelos produtivos mais sustentáveis.

Cooperação internacional e implementação

A implementação do Programa HFCs ocorre por meio da coordenação do MMA, com a implementação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (agência líder), da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), com recursos do Fundo Multilateral para a Implementação do Protocolo de Montreal. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é responsável pela fiscalização e pelo controle da importação de substâncias no país.

Brasil reforça protagonismo na agenda climática

A aprovação da Estratégia Nacional da Etapa I do Programa HFCs consolida o Brasil como um ator relevante na agenda internacional que conecta a proteção da Camada de Ozônio à mitigação da mudança do clima. 

A iniciativa também fortalece o papel do país como referência na América Latina na adoção de tecnologias de baixo potencial de aquecimento global e na implementação de políticas públicas voltadas à transição sustentável. 

 

Fonte: Protocolo de Montreal (PNUD) – Brasil aprova Programa de Redução do Consumo de HFCs e avança na agenda climática

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